terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Mucho flow y poco cash"

Estampa handmade da Oficina de Hechos. 
Sem meias palavras, com muita honestidade, leveza e bom humor. Assim, o atelie espanhol Oficina de Hechos, localizado na praia de Sopelana (Biskaia), traduz uma das facetas do surf (e da vida!) sob um olhar muito especial & libertador, pois talvez a questão essencial não esteja em ter ou não ter dinheiro, mas sim, na forma com que nos relacionamos com ele. Me parece que nesse sentido, ao optarmos por termos apenas o suficiente e o necessário, nos livramos de um grande fardo de preocupações e conquistamos a possibilidade de vivermos de forma mais simples e menos impactante, sem pressa, nem cobranças e de quebra, com "mucho flow"!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Finless: Paris longboarding

Finless: Paris longboarding.
"(...) you get a different feel for spots, and the way you ride. Its not about the thrill of speed, not about the next crossstep (...) its more the feel of the city that is blowing your mind."
Robin Stummvoll; Finless.

O vídeo a seguir é um trecho do filme alemão "Finless", de Robin Stummvoll. Ainda em andamento, "Finless" é um sensível registro de viagens e sentimentos vivenciados a partir das experiencias com longboard, skateboard, snowboard e surf.



Riders and filmers: Robin Stummvoll & Michael Hehn
Music by Patrick Watson
album: wooden arms
song: tracy´s waters

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Consciência & diversão: Skateboard, handplanes e surfboards

Definitivamente tudo se transforma, recriando-se e rearranjando-se continuamente. A possibilidade de darmos novos usos e significados às coisas que provavelmente descartaríamos, é sem dúvida o caminho menos impactante que podemos trilhar numa época onde a obsolescência dos objetos (e das relações humanas também!) é vertiginosa. Sigamos nós na contra-mão desse consumismo sem sentido. Sigamos usufruindo apenas o suficiente e o necessário. No mais, reinventemos nossa relação com o mundo a partir de um velho skate, de uma velha prancha (inteira ou quebrada!).

 Que tal sentir a força do oceano em suas mãos, a partir do seu velho skate? Essa é a proposta desse video da série "Surf Sufficient", da Korduroy TV.  

 
Skateboard Handplane- Surf Sufficient from www.KORDUROY.tv on Vimeo.
Câmera e edição de Erik Derman.

Para quem se interessar pelo assunto, vale uma conferiada no recente (e excelente!) filme "Roots Time" (leia a matéria sobre esse filme aqui), produzido numa parceria do site Surf&Cult , Siebert Surfboards e a revista Hardcore:






Em tempo, vale conhecer também o trabalho que Ed Lewis e Kipp Denslow desenvolvem na Enjoy Handplanes. Os caras recebem doações de pranchas quebradas e wetsuits velhinhos para serem reciclados e transformados em estilosos handplanes como estes:





quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Point Never e o valor do vazio


Capas da primeira e segunda edição da inglesa Point Never.

 "Go and find your blank, make what you want to make, surf how you want to surf (...)"

Hoje, permitir-se esvaziar-se de tudo que nos é mercadologicamente empurrado e socialmente imposto garganta abaixo, é algo vital, uma questão de sobrevivência contemporânea. Então quando  nos libertamos dos padrões estabelecidos, conquistamos um imenso espaço mental, um espaço de lucidez interior, que nos possibilita partir para novas experiências & referências e que nos dá o discernimento necessário, para sermos preenchidos novamente, mas agora de forma consciente e seletiva, por coisas que realmente nos tocam pela natureza essencial que possuem e nada mais.
"Point Never is an independent publication devoted to the diffusion of images and texts relating to surf and skateboarding culture; a portrayal of multiple truths, mythologies, abstractions, antipodes, commonalities and communities."

Point Never

Assim se anuncia essa revista inglesa, que já em sua segunda edição é dona de um projeto gráfico autoral, dada sua composição que, na contra mão dos maneirismos gráficos atuais, adota e explora com maestria o espaço em branco como elemento projetual, permitindo o surgimento de grandes áreas de respiro pelas páginas, que valorizam as fotografias, ilustrações (por sinal, não digitais! Wow!) e o pouco texto, o que a aproxima de uma estética nipônica onde impera tão somente & simplesmente, o essencial.


E é nesse raríssimo exercício de discernimento visual e de conteúdo, mora a maior característica da Point Never, que além de sua versão digital, pode ser lida em versão impressa, em tiragem limitada de 200 exemplares rodados em papel offset, P/B, no formato de 15x21cm. Desde 28 de julho a Point Never tem doado 1/6 da venda de cada exemplar para o National Geographic Society Oceans Project.

A versão impressa pode ser encomendada pelo email post@point-never.com .

Irezumi Bijin: Kaname e Horiyoshi III

Numa parceria da Known Gallery e Tattoo Hollywood, inicia-se hoje em Los Angeles a exposição “Irezumi Bijin”. 

“Irezumi Bijin” reúne os trabalhos de dois grandes mestres das artes japonesas, o pintor Ozuma Kaname e o tatuador Horiyoshi III, estabelecendo de maneira sutil um diálogo entre suas obras e evidenciando a influencia que imprimem mutuamente contaminando seus universos. Como herdeiros legítimos das técnicas e motivos ancestrais, transmitidas numa linhagem ininterrupta de geração a geração, seus trabalhos permitem-se influenciarem-se mutuamente, num movimento de continuo diálogo e cuidadosa releitura.

Ozuma Kanemo em seu atelier. Foto Alex Reinke / Matti Sedholm (Kofuu-Senju Publications)
 Ozuma Kaname, nascido em Niigata em 1939, ainda jovem, iniciou seus estudos na pintura tradicional japonesa sob a supervisão de seu tio, o artista Sakai Soushi. Aos 18 anos muda-se para Tóquio, onde se inicia como negociador de arte numa empresa gráfica. Posteriormente emprega-se em uma editora onde desenvolve desenhos para tatuagens. Desse momento a diante, a maior parte de sua obra é pautada por uma relação íntima com a tatuagem e outros temas tradicionais japoneses, motivo pelo qual, tornou-se uma grande referência e fonte de inspiração para o mestre tatuador Horiyoshi III, cujas belas clientes são frequentemente retratadas em suas pinturas.

Horiyoshi III, o grande mestre do Tebori. Foto FreshnessMag.
Horiyoshi III nasceu Yoshihito Nakano, em 1946, recebeu o título honorífico de Horiyoshi III.  “Hori” é o prefixo que significa “gravar”, no sentido de perpetuar a linhagem de tatuadores iniciada pelo seu mestre, o lendário tatuador Yoshitsugo Muramatsu (ou Shodai Muramatsu, de Yokohama) e posteriormente herdada por seu filho Horiyoshi II.

No universo imagético de Horiyoshi III reinam os motivos clássicos das tradicionais xilogravuras japonesas como a fênix, serpentes, dragões, tigres, samurais, Budas e Bodhissatvas, entre outros, que compõem seus famosos "horimono" (os grande painéis de tatuagens japoneses, body suit). Todos esses motivos são adornados por um background constituído por elementos também clássicos, como os motivos de nuvens, ondas e flores, de grande simbolismo na cultura japonesa, como o crisântemo, lótus e sakura.

Abaixo um registro viceral, que apresenta a beleza ancestral do trabalho desse mestre tatuador:



Bem, pode parecer off-topic um post sobre tatuagem japonesa num blog sobre longboard, mas a cultura surf está tão atrelada a essa primitiva forma de body art que é quase impossível separá-las. Mas e o fato de serem japonesas? Ora, nem só de havaianos, polinésios, alaias & olos foi construída a história do surf! Nesse período embrionário entre o final do século IX e início do século XX, os antigos habitantes do arquipélago japonês, já deslizavam sob as ondas com suas primitivas pranchas de madeira, chamadas “itaka”!


Assim, essa combinação de tintas & agulhas afiadas, que riscam a pele, é capaz de compartilhar da mesma beleza e harmonia de uma prancha de madeira, que desenha sua presença na onda & no asfalto.

IREZUMI BIJIN
Known Gallery
441 North Fairfax Avenue
Los Angeles, CA 90036
310-860-6263
info@knowngallery.com

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Brasil: Super 8, skateboard & diversão, nos 70



A década de 70 esconde muitas histórias, algumas passagens obscurecidas pela violência dos Anos de Chumbo e outras nem tanto. Aqui estão algumas dessas últimas que se salvaram no tempo e que valem apena serem conhecidas, lembradas & celebradas! São filmes em Super 8 que registraram, nesse período, os primórdios do skateboard no Brasil.  “Rua Maria Angélica”, no Rio de Janeiro, “Lomba da Hidráulica”, em Porto Alegre, “Alto da Afonso Pena”, em BH, “Descida do Bispo”, em Campinas, ilustram alguns dos picos da época que foram o palco desse momento histórico da descobertas de novas sensações & de novas possibilidades para experiênciar as cidades.

Os registros de Belo Horizonte, são do acervo familiar do John Ulhoa, do Pato Fu, que de quebra conta um pouco sobre o (divertido) espírito desses velhos tempos! "Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei, pra você correr macio...".
“(...) meu 'esqueite' era do tipo remediado. Fazia meus próprios shapes de madeirite! Que tosquera, jesuzo!"
John Ulhoa
“essas cenas foram filmadas na super-8 de meu pai, acho que uma boa parte dos principais skatistas de BH dessa geração está nelas. Muitas vezes depois das sessões íamos pro apartamento onde eu morava com meus pais assistir em bando (fedido de suor) esses filminhos.” 
John Ulhoa


Os filmes abaixo estão em ordem cronológica decrescente:

Campinas e Região, meados dos 70 e início de 80.







Belo Horizonte, final dos 70




Rio de Janeiro, 1974




Porto Alegre, 1973